“Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia.”
“Era 16:16 quando você estava ao meu lado e me perguntou as horas. Eu, mais que depressa, peguei o celular no bolso traseiro da minha calça e lhe disse — 16:16 — Você olhou pra mim, agradeceu, e deu uma risadinha envergonhada […] Eu fechei os olhos por um instante e pensei — Não preciso fazer nenhum pedido agora, já meu principal desejo encontra-se ao meu lado — Continuamos á andar e você veio falando da sua vida, das suas loucuras. Eu envergonhado, em todo momento ria. Acho que te passei a impressão de ser um louco. Realmente, eu sou um louco… Mas um louco diferente. Eu sou louco por você.”
“Eu te quis. Eu te quis muito. Te quis perto, te quis abraçado a mim, te quis deitado na minha cama, te quis com seus lábios colados aos meus, te quis com seus olhos fixados nos meus, te quis com aquele olhar que não engana, com aquela pergunta evitada, com aquela frase não dita, mas que eu entendia, mesmo sem você não falar nada, te quis nos domingos à tarde, de cabelo revolvido, de blusa larga, sentado do meu lado, filminho longo e romântico, frase clichê, beijo gostoso. Te quis. Te amei, te desejei, te amei de novo. Mas agora que volto a pensar em tudo isso, o que eu sinto aqui dentro não é mágoa, nem sentimento de término, nem de conformismo por você ter ido embora, e eu ter ficado quietinha, no meu canto. Na verdade, nunca consegui compreender o que eu pudera sentir a partir daquilo. Eu chego à conclusão de que nada, nem ninguém poderia responder às perguntas inacabáveis que surgem em minha cabeça. Estou confusa, e além de ser confusa no amor, sou confusa na maneira de pensar. Mas como meu Deus, como eu posso pensar em você, sem querer tudo de novo? Como eu posso sonhar com você, e dizer que não sinto saudade? Sinto, e me sinto ridícula por isso. Talvez eu deveria te evitar e te ignorar. Tratar você com rancor e levar minha vida bêbada pelas ruas. Mas onde isso chegaria? Na minha infelicidade. Quer dizer, em uma maior infelicidade. Ainda cuido do coração, mas ultimamente ando tendo muitas lembranças suas. Amor? Não sei, só o tempo vai dizer. Loucura? Deve ser, fico confusa ao pensar nisso. Saudade? Com toda certeza. Agora eu me pergunto: morrer de amor é viver dele?”
“(…) Mesmo que não sejamos o casal perfeito, mesmo que não sejamos feitos um pro outro, mesmo que a gente vá contra todas as leis da gravidade, de Newton, da distância, das possibilidades, eu me permito, todos os dias, te pertencer.”